Seria o Natal só mais um feriado nacional?

A verdade é que não deveríamos esperar o fim do ano para desacelerarmos e pararmos para refletir. Mas é assim mesmo, não tem jeito. Corremos tanto para lá e para cá que parece que a conta só fecha mesmo em dezembro.

No clássico poema de Carlos Drummond de Andrade chamado “Receita de Ano Novo”, logo no fim, há um conselho para o homem VITO:

“Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.”

Como um passe de mágica – mesmo nas cidades quase imunes aos sentimentos como São Paulo – quando o Natal se aproxima é natural refletirmos sobre as nossas relações pessoais. Já no Ano Novo, deixamos para celebrar as conquistas e traçar novas metas, projetando mais esperanças do que necessariamente reavaliando o passado.

O poema de Drummond estará completo no fim do artigo. E queremos que ele seja parte de sua reflexão de Natal. Só Natal? Sim, só Natal. Porque queremos falar da maneira como o homem VITO encara o trabalho, que deve ser a maneira que prioriza as relações pessoais tanto quanto às profissionais.

Claro, isso não é uma imposição, é apenas uma sugestão, um desafio, porque sabemos que não é fácil.

Trocando em miúdos, acreditamos que workaholic saiu de moda. Ou… Não, não vamos ser tão rasteiros… ser workaholic às vezes é necessidade, em outras pode ser uma válvula de escape que nem nos damos conta. Contudo, independentemente do que for, ser workaholic só nunca será saudável.

Não queremos, contudo, tratar as “reflexões de Natal” com argumentos clichês, aqueles que ano após ano inundam os veículos de comunicação e os grupos sociais que participamos: desde os clubes às igrejas. Queremos pensar o Natal – ou aproveitar o Natal – para ir além do que conseguimos ir até aqui.

A crise dos relacionamentos bateu à sua porta em 2017? Tudo foi bem no trabalho, mas suas relações estão muito a desejar? O quanto é culpa sua e o quanto é culpa do outro, ou dos outros, que vivem com você?

O que queremos deixar de reflexão para este Natal, é que entre as mudanças comportamentais que surgiram nos últimos anos, a maior delas é a mudança no modelo de “homem de sucesso”. Se um dia foi o do homem extremamente ocupado, que chega em casa depois dos filhos terem ido dormir, hoje não importa mais o cargo mais alto, mas sim ter a chance de ver os filhos em finais de campeonato da escola.

VITO acredita nesse novo modelo e sempre vai chamar a sua atenção para a verdade irrefutável: família é o maior bem. Nenhuma conquista fará sentido sem as pessoas que amamos ao nosso lado.

VITO acredita na felicidade real, no sucesso real, na vida real. Entendemos o papel das mídias sociais como vitrine do lifestyle dos sonhos, mas nada, nada vai superar a paz, o “preenchimento” de alma, que só os sentimentos são capazes de dar. E esses, amigo, não podem ser fotografados. Mas são inevitavelmente eles que vão te levar à realização completa.

Leia com atenção todo o poema de Drummond, reflita e trace outras metas para 2018.

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)  

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.  

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

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Portal sobre os mais diversos temas referentes ao homem moderno brasileiro

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