A música está pior nos últimos anos?

Se você tem mais de 40 anos, provavelmente já disse: “a música no meu tempo era melhor”. Se você tem 30 anos, provavelmente entende essa frase, porém a compreende como algo talvez verdadeiro, talvez saudosista, ou talvez haja algo além, algo que ainda não se ouviu…

Agora, se você ainda está nos seus 20 e poucos anos – para lembrar a canção do ídolo romântico Fábio Jr. – você provavelmente acha essa frase coisa velho. Qualquer um que diga “no meu tempo era melhor”, no fundo só assume de maneira levemente ranzinza que não tem controle sobre o tempo – o que concordamos, não é algo fácil de assumir.

Quer queiramos ou não, vamos envelhecer. Mas e a boa música, envelhece? Por que não vemos mais arroubos frenéticos como nos anos 1960 com Beatles? Anitta não vale, uns podem já rebater? Será mesmo?

Acontece que, passe o tempo que passar, nossos ídolos ainda serão os mesmos – agora lembrando a grande cantora Elis Regina – e podemos defende-los como a nosso time do coração.

Só que os tempos são mesmo outros e jamais a emoção será a mesma de ouvir a canção pelas FMs de surpresa. O controle que temos agora sobre o que ouvimos – a hora e o formato – é o novo pequeno mistério que enchia a vida de alegria, mas que abrimos mão. Papo de velho? Melhor dizer papo de uma geração que está na “entressafra”.

Nos 30 e poucos anos, já temos saudades de nossas bandas do coração, de um tempo saudoso, mas ainda temos fôlego de descobrir coisas novas. E acendemos velas em gratidão às playlists do Spotify ou Deezer.

Mas fica mesmo a curiosidade de como tudo pode mudar tanto…

Quais canais lançaram Beatles? Quais lançaram Pearl Jam? Quais lançaram Los Hermanos e quais, tão, mas tão diferentes, lançaram Imagine Dragons ou Alabama Shakes? Se o mundo não é mais o mesmo, por que a música seria?

Os estereótipos mais comuns da juventude de antes também não são mais os mesmos: da esmagadora maioria hétero e pouquíssima variação homossexual para qualquer um dos lados, caminhamos para a múltipla sexualidade: hétero, homo, trans, bissexuais, curiosos e bêbados. Riu? Se o mundo não é mais o mesmo, por que nossas experiências sexuais seriam?

O que isso tem a ver com música? Com tantas possibilidades para sermos, é natural que o que consumimos em Cultura também mude. O rock do hétero machão, as divas pop das meninas wannabes, o reggae dos que… Ah, não ligam para nada! Vamos viver e amar, é o que importa. Mas, de fato, porque ouvir apenas as músicas que os grupos sociais aos quais pertencemos ouvem?

Plataformas com o YouTube causaram verdadeira revolução no começo dos anos 2000. A hegemonia do rádio e da TV como “lançadores” de ídolos ruiu como em implosão. O mundo real passou a ser tomado pelos ídolos virtuais. A consolidação é sempre comprovada por uma participação no Fantástico, da Rede Globo. Hoje, a rua dita as pautas da televisão e não mais a TV diz o que devemos usar ou ouvir.

No mercado da música, tudo mudou também. Se o artista fazia show para vender discos; hoje os discos é que vendem shows. Do valor caro do LP, depois do CD, chegamos às músicas gratuitas em plataformas como YouTube, ou streaming por valor irrisório.

A única certeza que temos nesse mundo de múltiplas escolhas – dos meios de se ouvir música aos artistas – é que a magia de uma boa música ainda é capaz de mudar o nosso humor, o nosso dia e de marcar histórias. Dos amores, das aventuras, das fases da vida. Como sempre foi, nos anos 1980, 1990, 2000… E haja o que houver, apostamos que isso jamais vai mudar.

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