As barbearias vão morrer?

O mercado de barbearias está fervendo, em amplo crescimento no Brasil inteiro. Esse crescimento vem de uma combinação na mudança de hábitos dos homens brasileiros, nos últimos cinco anos, com forte tendência mundial na abertura de “barber shops” mundo afora.

Mesmo com toda essa força e demanda crescente, uma pergunta surge frequentemente: barba é apenas uma tendência? Tal como foram os mullets e bigodes na década de 1980, eternizados no Brasil pela forte adesão de sertanejos como Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo e tantos outros. O que aconteceria se essa tendência passasse e, de repente, os homens começassem a fazer a barba?

Um dos primeiros argumentos de quem acredita que a extinção das barbearias vai acontecer é dizer que o mesmo vai ocorrer com as esmalterias, paleterias, temakerias, yogurterias – entre outros negócios tendências dos últimos anos, especialmente no crescimento via franquias. Se as barbearias não passaram de uma “moda”, o fim é iminente e o mercado de barbearias e produtos relacionados está com os dias contados. Mas será que isso é verdade?

Esse argumento tem uma premissa verdadeira muito forte: as barbearias são de fato uma tendência e uma tendência muito conectada com o fato de os homens terem redescoberto a barba nos últimos três, quatro anos, e justamente por ser um hábito esquecido há algumas gerações, quem usa barba, hoje, não está acostumado a lidar com ela em seus próprios banheiros. Mas será que é só isso?

O que parece estar por trás dessa tendência, no entanto, é algo mais potente e duradouro do que, por exemplo, a graça por trás da demanda por picolés no formato de paleta ou mesmo iogurtes misturados com açaí congelado.

Além de várias pesquisas explorarem o quanto a barba faz bem para o equilíbrio da hidratação da pele do rosto – que é mais sensível do que a pele de outras partes do corpo – , no fim das contas a tendência da barba, e das próprias barbearias, atendendendo a demanda dos barbudos, parece estar ligada a algo mais profundo: a quebra do paradigma de que descobrir novas técnicas para se cuidar e se sentir mais “ajeitado” e confiante é algo cada vez mais natural.

Ou seja, diferentemente do negócio das paleterias e iogurterias que se posicionaram para atender uma demanda específica que parece ter saído de moda e migrado para gelaterias com viés italiano, no caso das barbearias temos um componente adicional à tendência da barba, que é o fato de o homem brasileiro ter quebrado alguns tabus em relação ao cuidado pessoal.

Há outro componente muito importante na avaliação do negócio das barbearias que muitas vezes é negligenciado quando se discute o tamanho e a efemeridade desse mercado, que é o fato de muitas barbearias terem plugado em seus negócios outros negócios adjacentes ao fazer a barba e cortar o cabelo.

Há barbearias que produzem o seu próprio chopp, que incluíram massagem e podologia, as que servem almoço ou hambúrgueres especiais, que disponibilizam mesas de sinuca, videogame; ou mesmo que oferecem pacotes especiais para eventos, dia do noivo e por aí vai. Há também, claro, aquelas em que o diferencial é justamente apenas fazer a barba e o cabelo como, digamos, nos velhos tempos.

Seja qual for o nicho, as barbearias têm explorado o que parece estar claro – e que é muito diferente de outros mercados que surgiram recentemente. O modelo de negócios das barbearias pode mudar para atender novas tendências, mas o homem dificilmente vai abrir mão de um espaço em que possa estar confortável para descobrir uma nova marca de cerveja, uma nova marca de produto para o cabelo e, principalmente, em que possa bater um papo com um amigo em um ambiente confortável enquanto simplesmente… faz a barba.

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2 comentários em “As barbearias vão morrer?

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